Em 1998 um ato conhecido como the Mickey Mouse Protection Act foi assinado nos Estados Unidos. Em poucas palavras, ele estendia o tempo de vida do copyright de uma obra em vinte anos. Isso significa: os desenhos do Mickey (pelo menos os mais antigos) deveriam ser de domínio público hoje em dia. Claro que o nome do ato está relacionado a uma pressão da Disney.
Leio neste artigo, de julho de 2008, que a União Européia ia estender o tempo de seu copyright em 45 anos. As músicas dos Beatles deveriam estar caindo em domínio público no ano de 2012. Em 2006 o Macworld anunciou numa notícia que isso não iria acontecer, e que estavam envolvidos em lobby artistas como Jethro Tull.
E essas extensões são recorrentes e sempre acontecem. Por quê?

photo credit: The Nothing Corporation
O motivo é claro para todo mundo: ninguém quer perder seus centavos. Naturalmente que os artistas têm um motivo mais claro para isso do que as gravadoras — o trabalho foi todo deles —, mas são tão censuráveis quanto elas.
Daqui pouco menos de 45 anos, quando os desenhos do Mickey estiverem para cair no domínio público — bem como as músicas dos Beatles — não parece óbvio que começarão a se movimentar novamente para assegurar mais tempo?
Isso é bastante ridículo. Num outro momento li que o Paul McCartney e o Ringo Starr acham que 99 cents por suas músicas é muito pouco, por isso elas não vão para a iTunes Store. Em outro, que Bonno Vox acha que a internet deveria ser mais controlada. Ed O’Brien, guitarrista do Radiohead, diz que a pirataria não está matando a música. Descubro que os artistas estão ganhando mais dinheiro mesmo com a chamada “pirataria” — mas as gravadoras não.
Isso começa a tornar as coisas óbvias… Os Beatles têm um selo próprio. Bonno Vox deve ter ações na Universal. As gravadoras estão perdendo dinheiro — e merecem, porque são elas que fodem os novos artistas cobrando preços absurdos que passam as vidas tentando pagar, e ganham dinheiro em cima de todo mundo só porque tem uma infraestrutura. Agora a internet oferece essa infraestrutura. Artistas, músicos — os caras que trabalham — começam a ganhar mais e os selos começam a querer um controle rígido da internet, a ponto de os ISPs dizerem que isso daria um prejuízo maior para eles do que o prejuízo que a indústria fonográfica alega ter.
Para fins práticos, é uma maravilha que o download ilegal seja praticamente impune. A chance de você ser pego ou processado, até onde sei, é muito pequena. Portanto tudo está no domínio público. O problema é que há gente que não quer ou não sabe como se adaptar.
A música nunca vai acabar. Talvez este modelo acabe, mas outro certamente surgirá. É por isso que não me preocupo muito com as leis ou com os interesses das grandes empresas. Mas sempre há algo de preocupante na história possível: e se…?


Esse modelo tem que acabar. Só tomara que não tenham a ótima ideia de fazer com que os álbuns acabassem. CDs, DVDs, isso tudo é mídia, mas os álbuns são uma filosofia de trabalho; é como os autores querendo parar de escrever livros e passassem a escrever só contos porque hoje em dia ninguém mais compra livros, lê tudo pela internet. Seria awful.
Concordo, mas não precisa se preocupar. Isso não vai acontecer.
Pode acontecer sim, mas quem liga? Com certeza uma outra maneira de trabalhar pode surgir, tão expressiva quanto :)